Trauma

12 Dezembro 2018

Trauma

Imagem: Trauma

 

O trauma pode ter sua origem em um acontecimento abrupto, que penetra selvagemente, como um acidente ou pode surgir a partir de microtraumas que vão se dando ao longo da vida do ser humano devido a um estado de desamparo do qual o sujeito não consegue escapar.
Acontecimento que, por sua intensidade, excede a capacidade do sujeito de responder adequadamente a ele causando transtornos e efeitos patológicos no indivíduo.
O ser humano começa a sua vida precisando de outro ser humano (pai, mãe ou um substituto dessa função) para sobreviver física e psicologicamente, sua personalidade e seus sentimentos começam a ser formados a partir do início da sua vida.
Estando o trauma ligado a algo de grande intensidade para o sujeito temos que considerar o fator individual, ou seja, o que para uma pessoa é algo muito intenso, para outra pessoa pode não ser. O que está envolvido aí é a capacidade de dar respostas adequadas a determinadas situações. Disso dependerá a saúde emocional do sujeito e a idade que o sujeito tem.

Temos que concordar que um adulto terá respostas mais adequadas e proporcionais à uma situação do que a criança, da mesma forma um adulto que foi bem amparado quando era criança terá mais condições de dar respostas adequadas a situação estressante do que um adulto que não foi entendido e atendido adequadamente em suas necessidades.

Por necessidades entendemos as fisiológicas, de frio, fome e sede mas também, e de igual importância, as necessidades de compreensão, as necessidades de ser decifrado em seus sentimentos e ser protegido dos medos e dos perigos. Ser afagado, segurado no colo, mimado. E ser enxergado, visto como a criança que é, e não como projeção do que se deseja que ela seja. Tudo isso dá um senso de existência ao ser humano, proporciona um sentimento de se sentir vivo. Isso fortalece o ego do sujeito e o prepara para lidar com as adversidades da vida.

Muitos dos sintomas que um adulto tem possuem origem na sua infância, na forma como foram compreendidos e acolhidos por seus pais. Uma criança precisa que seus pais funcionem como “ego auxiliar”, expressão usada em psicanálise para se referir a alguém que ajuda emocionalmente o outro no que o outro ainda não é capaz.

Uma criança precisa ser protegida da intensidade de seus medos e da intensidade do seu desamparo. Para isso ela conta com a conexão de seus pais aos sentimentos que ela tem, e que muitas vezes nem ela mesma compreende que sentimentos são esses. São os pais que devem ser os tradutores das emoções que assolam a criança.

Por um processo empático os pais podem identificar o que a criança está sentindo e se colocarão como uma figura que protege, que explica, que afaga, que garante que nada lhe acontecerá, pois tem a proteção de seus pais. Daí sim, com o tempo, essa criança se tornará forte e saberá lidar com as adversidades da vida. Poderá identificar e olhar de frente suas emoções, seus sentimentos, poderá contar com a ajuda dos outros e confiar em alguém porque pôde no passado confiar em seus pais e pôde ser entendido corretamente por eles. Essa é a base da esperança e da confiança no outro.

Isso pode parecer simples mas não é, quanta gente não consegue enxergar o que tem dentro de si, não consegue encarar a verdade de suas sentimentos e nem entrar em contato com seu mundo psíquico. Isso traz prejuízos para a vida, isso empobrece o ser humano, traz sintomas que vão desde físicos até claramente psicológicos.

Quantos traumas aparecem mais tarde na vida do adulto de forma disfarçada, aparecem de uma forma que não os reconhecemos mais porque não ligamos mais esses sintomas a sua origem. Por mais que se saiba e se lembre muitas vezes do que aconteceu o trauma tem a característica de retirar os sentimentos a ele associados, por isso muitas pessoas dizem que o passado não lhe afeta mais, mas em muitos casos o que se vê na clínica é que esse passado está agindo o tempo todo no presente só que a pessoa não consegue mais fazer essa ligação porque, como defesa, ela deixa de sentir.

Existem muitos sintomas que são resultados do desamparo que não pode ser acolhido. O trauma se instala se não houver alguém empático para escutar, testemunhar e compreender o sujeito – negar a dor do outro, tentar distraí-lo disso ou distorcer a situação para que o outro enxergue as coisas de um lado bom são atitudes comuns que não ajudam em nada, só fazem o sujeito se desviar de si mesmo, de seus sentimentos e cada vez mais se perder de si próprio. Isso leva a sintomas como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, doenças físicas e sentimento de vazio.

Desse ponto de vista o trauma pode não ser fruto de um acidente pontual, mas sim resultado de uma forma de viver solitária e desamparada, que teve sua origem nos primórdios da vida do sujeito.

 

Fonte: Dra Vanessa Voll

Contato

Entre em contato conosco para tirar dúvidas ou marcar uma consulta.

Marque sua consulta pelo Whatsapp ou por telefone.

  • Endereço: Rua Ten. Cel. Fabricio Pillar, 55/503, Moinhos de Vento, Porto Alegre
  • Telefone: 51 982254141
  • Whatsapp: 51 982254141
  • E-mail: vanessa@vanessapsicologa.com